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sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Sob o Diamante de Wajda

Em seus primeiros ensaios cinematográficos práticos Andrzej Wajda, resolveu elaborar o que se chama de trilogia de guerra. O bicho homo analisado no supra sumo do instinto, se é que pode-se usar a pretensão e fazer tal afirmação.
Espeficicamente em Cinzas e Diamantes, que conclui o ciclo iniciado por Geração e seguido por Kanal, é interessante destacar que o filme foi inspirado em um livro que na época seria uma espécie de paradidático na Polônia.

O roteiro inicial tinha como protagonista a personagem comunista. Wajda então assume uma postura um tanto transgressora, desalinhado a história original de uma idéia soviética e assumindo uma postura nacionalista, caracterizada pelo não alinhamento, onde essa definição ousada era bastante inovadora: a personagem nacionalista de Zbigniew Cybulski, que mais tarde seria considerado o James Dean polonês, assume o posto de protagonista.

Zbigniew fora indicado pelo assistente de Wajda a fazer os testes, porém Wajda não conseguia ver expressões nos olhos do ator, sendo o mais indicado para o papel Jerzy Stefan Stawinski, protagonista de Kanal. Zbigniew também tinha concorrido o papel em Kanal e desde ai teve a proteção de Januz Morgenstern, assistente de direção nos dois filmes, que no final foi convencido pelo diretor da potencialidade Jerzy. Mas nesse novo filme Morgenstern que convence Wajda da potencialidade de Zbigniew, até que este resolveu montar o personagem com um estilo jovem dos anos 50, o que fascinou o diretor (o filme se passa no final da guerra em 1945, ou seja mais de dez anos antes, dando mais enfase ao personagem que pelas suas atitudes e expressões o colocava literalmente a frente de seu tempo.) dando a ele liberdade para compor o personagem e assim o fez, aguçando comparações com James Dean e eternizando-se como o astro estadunidês, morrendo jovem e de forma trágica, no auge da carreira.

Apesar de talvez ser o precursor indireto do que viesse a ser o não alinhamento da Guerra Fria, Wajda faz referências claras a arte e o estilo de vida estadunidês, tanto na influência do cinema sobretudo nos filmes: Cidadão Kane de Orson Welles e O Segredo das Jóias de John Hutson, quanto ao protagonista a la James Dean.

Uma boa e interessante obra!


quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Vamos celebrar a estupidez humana

A história da humanidade é dotada de lutas, revoltas, golpes, conspirações, sobretudo na ótica de um vestibulando, pois a comissão que realiza provas, acha que os grandes acontecimentos da história se resumem a isso. Não tem nada mais grandioso, poderoso e alienante do que o legado cultural que a camada dominante quase sempre impõe para sua sociedade. È muito confuso saber se isso se realiza de forma direta ou indireta, pois apesar de ser expressa com certa explicitação, não consigo saber até que ponto absorvo essa influência, afinal, fui criado e construí meus gostos e preferências dentro desse contexto.

Mesmo assim tenho consciência que a arte é a vitrine, o retrato de uma sociedade e expressa indiretamente, o modo de vida, as opiniões e visões políticas dos seus realizadores, que quando cai no gosto popular, vira referência e símbolo de determinado povo ou aglutinação humana.

Na década de 60 do século passado, um grupo de jovens tiveram consciência entre a ligação da política e da arte. Os Provos, realizavam ações artísticas que interferissem na rotina da sociedade e denominaram isso de happening, só que suas ações artísticas iam de encontro com a ideologia e interesse burguês, sendo duramente reprimidos e sempre se sobressaindo com muita habilidade dessas situações, mas isso é outra história, interessante é que se há repressão é porque há consciência da importância da arte no poder, e quem manda precisa estabelecer sua ordem e seu controle para a manutenção. Na mesma década os Estados Unidos fizeram a mesma coisa, usando o cinema com James Dean e Marilyn Monroe, a música com o rock n’ roll de Elvis Presley, o jazz, Frank Sinatra, a publicidade e as cores de Andy Warhol, a calça jeans, enfim, eram novidades que estimulavam que divulgavam o sistema capitalista no mundo e ainda servia para alimentar o consumismo dos povos. A cultura estadunidense da década de 60, foi fundamental para a consolidação do modo de produção capitalista, mostrando a tentativa de divulgar como a American Way Life pode ser perfeita e exemplo de felicidade, proporcionando bem estar e diversão ao contrario do socialismo soviético. A divulgação do capitalismo na época da guerra fria, não foi feita em salas de aula, nem palestras, debates, seminários, ou algo que exija mais formalidade, mas sim na forma de diversão e entreterimento, que é bastante fácil de se assimilar. Essa diversão entrou na vida das pessoas. As músicas serviam como trilha sonora para alguns de seus momentos, o cinema como fuga da realidade, alimentação de aspirações, sonhos e desejos, a moda como levante de ego, acessórios como símbolos de personalidade e assim permaneciam na cabeça e na vida dos indivíduos.

E funcionou, hoje eles se estruturaram, super qualificaram-se e sua industria cultural é a mais importante de todas, pois mantêm o lucro e a ordem vigente e fascinam os profissionais que se aliam sem questionamentos a sua estrutura.

É importante reconhecer a qualidade dos meios de produção e da própria produção, que sem duvida são estupendos, mas acredito que mais importante é saber os meios que aquilo foi construído. Que foi necessário subjugar outras nações, outros povos, derramar incontáveis litros de sangue, sumir com diversas pessoas, financiar o terror, a guerra e a opressão, em nome de uma coisa que nos é imposta, e está muito longe de ser nossa.
A questão exata é saber qual o lado que se está, tem gente que renuncia toda a história de um país, países ou seu país e se identifica com a ascensão de quem realmente manda e se considera um vitorioso também, e isso é bastante natural, o poder é fascinante demais pra tentar de certa forma ficar fora dele.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Glauber Rocha e os hippies da CIA

Além de ser obcecado por cangaceiros e câmera trêmula, Glauber Rocha também era louco por teorias conspiratórias. Entre as várias viagens que assaltaram a mente do cineasta, uma delas é de que a América Latina era vítima de um certo Projeto Camelot, arquitetado pela CIA. Segundo Glauber, o movimento hippie, os gays, a militância ecológica e a política do corpo eram financiados, incentivados, e fabricados, pelos Estados Unidos, para destruir o potencial revolucionário do Terceiro Mundo. No livro Patrulhas Ideológicas (Ed. Brasiliense, 1980) Glauber solta o texto: “A opção hippie era a opção da CIA programada para o Brasil (...), para transformar maoístas guerrilheiros em hippies drogados,. Foi a luta da granada contra o rock.”

Glauber talvez estivesse experimentando o mesmo tipo de delírio que acometia os personagens de seus filmes, mas ele não foi o único a relacionar o movimento hippie a CIA. Existem provas de que a organização financiou a produção de LSD na Califórnia, nos anos 60.
A denúncia de que o movimento hippie era um projeto de alienação cultural criado dela CIA sempre fez parte do repertório da esquerda clássica. Quando o Partido Comunista Brasileiro protestava contra a guitarra elétrica é porque temia que o rock’n roll destruísse a mestre dos jovens do país, e vamos reconhecer em partes que ela teve seu lado Mãe Dinah.