Não preciso falar nada!
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quinta-feira, 29 de novembro de 2007
terça-feira, 2 de outubro de 2007
Tropa de Elite
O mais novo sucesso da pirataria nacional, vem causando sabor amargo na boca de muita gente e não estou falado de autoridades.O filme que ainda nem estreou nos cinemas é em primeira pessoa, na do Capitão Nascimento (Wagner Moura), do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar – BOPE. Nascimento é um policial incorruptível, ultraconservador e por conseqüência da segunda característica machista, arrogante, prepotente e autoritário... ou será isso por conta do primeiro rótulo? Enfim... não importa. Nascimento narra a sua estória e a de dois policiais militares: Mathias (André Ramiro) e Neto (Caio Junqueira) que por sua vez também são policiais honestos. Dentro da narrativa de Nascimento é abordado de forma bem clichê a desorganização e má administração da PM, dotada de empregados mal qualificados, com má remuneração e uma péssima distribuição nos setores da instituição. Por outro lado se favorece de artifícios pouco convencionais a realidade brasileira: a insubordinação de dois aspirantes honestos a alta cúpula da polícia que é corrupta.
O diretor José Padilha jogou dentro de sua obra os grupos básicos da sociedade brasileira, A polícia, que é dividia entre os corruptos: a PM (que não contém o tráfico), e os decentes: o BOPE (que combatem o tráfico), os setores médios, representados pela comunidade acadêmica (que financia o tráfico) e a camada marginalizada (que realiza o tráfico). Nesse contexto, dois desses grupos são analisados de forma mais real e profunda. Quanto à comunidade acadêmica, o que ocorre é uma superficialização, onde os estudantes de direto, numa discussão sobre repressão policial, são donos de retóricas mais compatíveis com estudantes de publicidade, administração e alunos do ensino médio. Mas o ponto alto dessa supeficialidade é quando Foucault entra no filme sobre a explanação de Maria (Fernanda Machado), além da pífia descrição dos ensaios do intelectual ela ainda se assemelha às aulas dadas pelo professores do Mútlipa Escolha.Como o filme é narrado em primeira pessoa é inevitável não saber dos pensamentos e filosofias do Capitão Nascimento, de seu raciocínio sobre o que é ser um policial, o que é um ser-humano e do que é correto. Nascimento vê a classe média como desestabilizadora da ordem e não enxerga valores como liberdade, talvez seja porque não a possui de certo modo e esse desejo demasiado de tê-la acaba lhe pondo em descontrole e perder o motivo pelo qual a desejou. Em certos momentos ele mostra-se contraditório ou indeciso, pois apesar de considerar inteligência e autoridade pontos que jamais podem ser separados dentro da sua
profissão, acredita que uma pessoa possa adquirir inteligência, mas dúvida que outra se torne mais autoritária. Até que sua posição hierárquica superior e laços afetivos alheios rompidos provam pra ele mesmo que está errado em sua dúvida, e Mathias que antes fosse o exemplo de policial que o país precisava se tornasse o exemplo de policial que Nascimento achava coerente.Nascimento talvez não tenha noção que a estruturação do Estado brasileiro, a administração imperial, a política de crescimento baseada na concentração de renda, a liberação exagerada do mercado nacional para a exploração estrangeira, a ditadura do consumo e a falta de planejamento para mudanças radicais na sociedade como a abolição da escravidão e o êxodo rural fossem responsáveis pelas atuais leis se tornarem obsoletas e incontemplativas para muitos brasileiros, fazendo com que as mesmas não fossem cumpridas e ele obrigado resgata-las e reprimir quem não a respeitasse.
As interpretações impecáveis de Wagner Moura, André Ramiro, Fabio Lago e Caio Junqueira extrapolando sensibilidade e domínio de personagens complexos e conflitantes, junto com sua fotografia repleta de contrastes e exagero de muito branco, amarelo e preto, fazem a total diferença na construção do todo. O fato também de ser um filme com uma visão conservadora também é bastante interessante, pois não me recordo de visto o olhar de um policial nesse contexto. Apesar de ser agonizante e dar um tapa na cara dos mais libertários, o filme sai do tradicional, mostrando não só a realidade, apesar dessa está apenas com roupas intimas, mas a ótica de quem mais do que ninguém respira, ingere e vive a guerra civil carioca, vendo seus ideais e valores sendo deteriorados e tendo a preocupação diária de estabelecer a paz e a ordem, mesmo sendo a sua, pois apesar de estar numa guerra o outro lado permanece bem mais confortável na situação que os legalistas.TROPA DE ELITE
Gênero: Drama
Tempo de Duração:
Produção: Brasil, 2007
Direção: José Padilha
Elenco: Wagner Moura, André Ramiro, Caio Junqueira, Fernanda Machado, Fernanda de Freitas, Fabio Lago
Roteiro: Bráulio Mantovani, José Padilha e Rodrigo Pimentel
quinta-feira, 6 de setembro de 2007
Glauber Rocha e os hippies da CIA
Além de ser obcecado por cangaceiros e câmera trêmula, Glauber Rocha também era louco por teorias conspiratórias. Entre as várias viagens que assaltaram a mente do cineasta, uma delas é de que a América Latina era vítima de um certo Projeto Camelot, arquitetado pela CIA. Segundo Glauber, o movimento hippie, os gays, a militância ecológica e a política do corpo eram financiados, incentivados, e fabricados, pelos Estados Unidos, para destruir o potencial revolucionário do Terceiro Mundo. No livro Patrulhas Ideológicas (Ed. Brasiliense, 1980) Glauber solta o texto: “A opção hippie era a opção da CIA programada para o Brasil (...), para transformar maoístas guerrilheiros em hippies drogados,. Foi a luta da granada contra o rock.”
Glauber talvez estivesse experimentando o mesmo tipo de delírio que acometia os personagens de seus filmes, mas ele não foi o único a relacionar o movimento hippie a CIA. Existem provas de que a organização financiou a produção de LSD na Califórnia, nos anos 60.
A denúncia de que o movimento hippie era um projeto de alienação cultural criado dela CIA sempre fez parte do repertório da esquerda clássica. Quando o Partido Comunista Brasileiro protestava contra a guitarra elétrica é porque temia que o rock’n roll destruísse a mestre dos jovens do país, e vamos reconhecer em partes que ela teve seu lado Mãe Dinah.
Glauber talvez estivesse experimentando o mesmo tipo de delírio que acometia os personagens de seus filmes, mas ele não foi o único a relacionar o movimento hippie a CIA. Existem provas de que a organização financiou a produção de LSD na Califórnia, nos anos 60.
A denúncia de que o movimento hippie era um projeto de alienação cultural criado dela CIA sempre fez parte do repertório da esquerda clássica. Quando o Partido Comunista Brasileiro protestava contra a guitarra elétrica é porque temia que o rock’n roll destruísse a mestre dos jovens do país, e vamos reconhecer em partes que ela teve seu lado Mãe Dinah.
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segunda-feira, 3 de setembro de 2007
Viva Volta
Um doc primososo sobre a vida de um peculiar artista: Raul de Souza, que se torna frágil, ao perceber a indiferença das pessoas de sua nação a sua arte.
De Heloísa Passos
Com Maria Bethânia e Raul de Souza
De Heloísa Passos
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sábado, 1 de setembro de 2007
Assistencialismo? Imagina Lulinha
Ontem lendo a FSP, vi uma matéria surpreendedora sobre o bolsa família:
· Um relato, oriundo da fiscalização da Corregedoria Geral da União nas cidades do interior do Brasil, revelando que em 90% das cidades fiscalizadas ocorre fraude na distribuição do PROGRAMA ASSISTENCIALISTA. De fato, isso é surpreendente, afinal não é a primeira vez que vemos falar sobre tais irregularidades, agora é preciso mais uma vez gastar ainda mais dinheiro para comprovar a pilantragem e continuar sem solucionar nada, uma vez que não se vê punição para os que recebem indevidamente e principalmente para os que autorizam a distribuição da grana para tais, pq também não existe um controle no sistema de distribuição. É, de fato, não são só pilantras do colarinho branco que não se fodem não!
Bem... mas o motivo do post não é exatamente este, Lulinha diz no jornal que o Bolsa Família não é um programa assistencialista, e ele explica fazendo uma comparação com os estudantes de doutorado do país que vão cumprir parte do currículo no exterior e ganha bolsa em dólares para se manter na fora. Ôô Lulinha, logo você que passou tantos anos nos meios radicais do sindicalismo, que tinha uma trajetória de lutas e criticas plausíveis a ações de cunho popular do governo, se estabacando numa comparação dessas meu fio? Eu não acredito que você não sabe o que é assistencialismo, mas confesso que você ultimamente deve ter tomado bastante coca cola, é você sabe ne lulinha? coca-cola atrofia o cérebro, segundo tese comprovada de Dusan Makavejev, no clássico dos anos 80: coca-cola kid.
O que vale ser ressaltado é que os estudantes de doutorado recebem um investimento do governo federal, para estar realizando parte de seus estudos em um país estrangeiro. Prática muito comum em países ricos, e emergentes. Só que essa bolsa tem prazo definido para acabar, e o recém-formado vai ter as bases firmes para entrar num mercado de trabalho nojento como o nosso, afinal ele tem uma formação estrangeira, isso abre o butico de qualquer chefe corporativo.
As famílias que recebem grana do Bolsa Família, em sua parte considerável, tem um estilo de vida peculiar, valorizando e sentindo prazer nos fatos do presente, em cada acontecimento, descartando assim, prazeres que vem de sonhos, futuros desejos, planos. O ciclo que envolve essa camada da sociedade é cercado de concretismos, até pensamentos e desejos são concretos, as abstrações resultantes das aspirações passam em alta velocidade por outra BR, essa estrada chega na classe média burguesa, que sempre aspira mais e está repleta de alpinistas sociais.
Este estilo de vida peculiar e talvez muito mais saudável, se levado em consideração analítica do que vem a ser felicidade faz com que esse programa federal de distribuição financeira seja assistencialista, ou seja, não resolve o problema.
Qual o investimento é feito nessas famílias? As bases para formação de novas famílias, que por sua vez também sobreviverão de Bolsa Família?
O que é feito para mudar a realidade dessas pessoas? Se nem os pré requisitos para receber a grana são compridos.
O que o governo faz para proporcionar uma melhor qualidade de vida para essas pessoas?
Deposita todo mês uma média de 100 reais na conta desses indivíduos.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1607200702.htm (so para assinantes)
http://www.mds.gov.br/programas/transferencia-de-renda/programa-bolsa-familia
· Um relato, oriundo da fiscalização da Corregedoria Geral da União nas cidades do interior do Brasil, revelando que em 90% das cidades fiscalizadas ocorre fraude na distribuição do PROGRAMA ASSISTENCIALISTA. De fato, isso é surpreendente, afinal não é a primeira vez que vemos falar sobre tais irregularidades, agora é preciso mais uma vez gastar ainda mais dinheiro para comprovar a pilantragem e continuar sem solucionar nada, uma vez que não se vê punição para os que recebem indevidamente e principalmente para os que autorizam a distribuição da grana para tais, pq também não existe um controle no sistema de distribuição. É, de fato, não são só pilantras do colarinho branco que não se fodem não!
Bem... mas o motivo do post não é exatamente este, Lulinha diz no jornal que o Bolsa Família não é um programa assistencialista, e ele explica fazendo uma comparação com os estudantes de doutorado do país que vão cumprir parte do currículo no exterior e ganha bolsa em dólares para se manter na fora. Ôô Lulinha, logo você que passou tantos anos nos meios radicais do sindicalismo, que tinha uma trajetória de lutas e criticas plausíveis a ações de cunho popular do governo, se estabacando numa comparação dessas meu fio? Eu não acredito que você não sabe o que é assistencialismo, mas confesso que você ultimamente deve ter tomado bastante coca cola, é você sabe ne lulinha? coca-cola atrofia o cérebro, segundo tese comprovada de Dusan Makavejev, no clássico dos anos 80: coca-cola kid.
O que vale ser ressaltado é que os estudantes de doutorado recebem um investimento do governo federal, para estar realizando parte de seus estudos em um país estrangeiro. Prática muito comum em países ricos, e emergentes. Só que essa bolsa tem prazo definido para acabar, e o recém-formado vai ter as bases firmes para entrar num mercado de trabalho nojento como o nosso, afinal ele tem uma formação estrangeira, isso abre o butico de qualquer chefe corporativo.
As famílias que recebem grana do Bolsa Família, em sua parte considerável, tem um estilo de vida peculiar, valorizando e sentindo prazer nos fatos do presente, em cada acontecimento, descartando assim, prazeres que vem de sonhos, futuros desejos, planos. O ciclo que envolve essa camada da sociedade é cercado de concretismos, até pensamentos e desejos são concretos, as abstrações resultantes das aspirações passam em alta velocidade por outra BR, essa estrada chega na classe média burguesa, que sempre aspira mais e está repleta de alpinistas sociais.
Este estilo de vida peculiar e talvez muito mais saudável, se levado em consideração analítica do que vem a ser felicidade faz com que esse programa federal de distribuição financeira seja assistencialista, ou seja, não resolve o problema.
Qual o investimento é feito nessas famílias? As bases para formação de novas famílias, que por sua vez também sobreviverão de Bolsa Família?
O que é feito para mudar a realidade dessas pessoas? Se nem os pré requisitos para receber a grana são compridos.
O que o governo faz para proporcionar uma melhor qualidade de vida para essas pessoas?
Deposita todo mês uma média de 100 reais na conta desses indivíduos.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1607200702.htm (so para assinantes)
http://www.mds.gov.br/programas/transferencia-de-renda/programa-bolsa-familia
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